Friday, December 14, 2007

Tolstoi na Chechênia

Retornando para a Iasnaia Poliana, a sua tão famosa propriedade, Leon Tolstoi
deparou-se, à beira do atalho que tomara, com um exuberante cardo tártaro.
Atraído pela beleza da sua flor, cismou em querer arrancá-lo por inteiro. Puxou,
puxou, até que, num gesto mais vigoroso, o extraiu com raíz e tudo. Ufa! Que obra!
A teimosia da planta em desgrudar-se do chão fez com que, aos poucos, ele recor-
dasse a gente do Cáucaso. Quando jovem, ele servira lá como artilheiro, entre
1851-54, enfrentando a resistência do líder checheno Chamil, que se estendeu até
1859. Como o cardo tártaro que o desafiara, aqueles montanheses - os chechenos,
os inguches, os circassianos, os bats, os ossetianos, os azires e mais 50 outros tantos
grupos étnicos -, tradicionalmente, batiam-se até o fim contra qualquer tentativa de
remoção.
Entrando em casa, Tolstoi sentou-se na sua escrivaninha e, tomando a pena, deu-se
a narrar a fascinante história de Hadji Murat (um lendário personagem, um naib, um
misto de chefe clãnico e valentão foragido da lei, daquele canto perdido do sul da
Rússia).
Áspera, e com altíssimos picos pedregosos, cercados por incríveis despenhadeiros, a
cordilheira do Cáucaso (que liga os dois mares da Ásia Menor, o Cáspio e o Negro), é
uma das esquinas do mundo. Logo, uma torre de Babel. A confusão das falas que lá
impera é tamanha que os historiadores árabes chamaram-na de Jabal al-Alsine,
a "Montanha das línguas". Desde 1723 aquela exótica região começou a cair no
controle do Império Russo, quando Pedro, o Grande, venceu uma curta guerra
contra o xá da Pérsia. Uns anos antes desta vitória, o czar enviara para lá a missão
do Príncipe Volynsky, imaginando que dali, do Mar Cáspio (que a envolve pelo leste),
partia um rio em direcção à Índia, o que lhe abriria as portas do rico comércio com o
Oriente.
Morto logo em seguida à conquista, Pedro não viu nada dessa riqueza. Porém, no
século 19, os russo sentiram-se compensados. Ao redor de Baku, no atual Azerbaijão,
desde 1872, passaram a explorar um dos mais prodigiosos lençóis petrolíferos até
então descobertos. Foi a riqueza desse produto estratégico para a vida moderna, que
atraiu para lá, durante a invasão da URSS pelos nazistas, o Iº Exército Panzer do
General von Kleist, que ocupou a Chechênia em julho de 1942, chegando, com a
entusiasmada adesão dos habitantes locais, a erguer a bandeira nazista no Monte
Elbrus, o pico mais elevado do Cáucaso. Atitude que, como não poderia deixar de ser,
os soviéticos não perdoaram depois que conseguiram expulsar os nazistas da URSS.
A longa duração do domínio que os russos exerceram, e provavelmente ainda
exercerão sobre o Cáucaso, encontra sua explicação na própria leitura do "Hadji
Murad" de Tolstoi. As intensas rivalidades tribais, a existência de religiões adversárias
(cristã e muçulmana, sunita e xiita), e a proximidade de duas poderosas nações islâ-
micas (a Turquia e o Irão) fez com que o fortim russo, com sentinela de plantão, fosse
visto por muitos caucasianos, particularmente os cristãos, como um mal menor, senão
como o único capaz de garantir uma certa ordem e uma relativa paz no caos histórico
em que quase sempre viveram.
Mesmo assim, que se precavessem os russos! O czar Pedro, nas suas instruções ao
príncipe Boris Kurkhistanov, o representante imperial no Cáucaso, recomendou que
lidassem bem com a tribos locais, não lhes causando "constrangimento nem rudeza".
Caso, porém, isso não funcionasse com aqueles povos orgulhosos, que fosse severo
com eles, porque, afinal das contas, como ele disse, oni ne takoi narod, kak v
Evrope!, eles, os chechenos, "não pertenciam às nações européias".
.
Com a flor do cardo despedaçada na palma da mão, Tolstoi lamentou-se. Esganara a
pobre planta para nada. Contemplando o estrago, vendo-a esmaecida, moribunda,
deu-se conta de que seu esforço só a desgraçou. De certa forma, esta é a situação do
exército russo que, em fevereiro de 2000, se adonou de Grozny e de quase toda a
Chechênia, repetindo com as armas o que o grande escritor, num equívoco, fizera,
há bem mais de um século atrás, com as mãos.

Thursday, December 13, 2007

Dica


Para quem é apaixonado por livros e não quer ficar por fora dos lançamentos, é uma boa idéia conferir o site: http://www.republicadolivro.com.br/
Lá você encontrará informações sobre os lançamentos, resenhas, revista, entre outros.

Saturday, April 28, 2007



Mundo contraditório (parte I)


Um bom pressagio/ precede um adversário/ gladiador ou legionário/ não é pario/ pra arte da guerra/o milênio encerra/ com um saldo negativo/ são ossos do oficio/ aumento da criminalidade, acumulo do vicio/ no inicio/ era o verbo/ e o verbo se fez/ destruiu outra vez/ tudo com idéias/ parábolas, teorias abstratas/ mulheres de meia idade pacatas/ destruição das matas/ existencialismo inexistente/ discurso incoerente/ consetudinariamente/ vão se criando disparidades/ em todas as cidades/ desses burgos atrasados/ desses servos mal pagos/ porém fieis/ têm-se todos aos seus pés/ eterno mujahideen Radamés/ ao invés/ de seguir a tendenciosa tendência de moda/ ciclicamente como nossa sublime invenção,a roda/ ninguém denuncia que aqui Deus é uma pistola/ uma Taurus cromada/sem uma arma você não é nada/ porque nossa capacidade de dialogar não é utilizada/ sendo assim todos somos ignorantes/ medíocres infames/ que buscam a paz inexistente/ pois acreditam veemente/ nos que falam, falam, falam/ os que vendem munição, mas nunca atacam/Falem do islamismo/ sem confundir com radicalismo/os filhos de Ismael sofrem racismo/e isso os sociólogos não falam/ quando uma criança morre de fome eles se calam/ eles querem um país perfeito/ e usam um linguajar rebuscado pra causar efeito/ o presidente eleito/ é um boneco fantoche/ o filosofo que foge/ corre em direção ao saber/ sem saber ao certo o porque/ o que nós temos que ver?/passar e rever?/ pra rever o nosso conceito/ por que civis inocentes morrerem é aceito?/ oh meu Deus onde estará esse cruel defeito/ que os imperialistas chamam de pequeno deslize/ o advento da guerra/ sangue inocente encharca a terra/ mas só a guerra traz a morte digna/ entreguem para a minha mãe a minha insígnia/ pois eu sou mais um combatente/ na verdade todo mundo defende/ algum ponto de vista/ que se choca em alguma pista/ nessa eterna busca de temas/ que denunciam problemas/ sociais, morais, existenciais/ instituições penais/ métodos de tortura totalmente ilegais/ aplicados com intuitos meramente formais/ quem estará por traz/ dessa podridão/ estágio de quase que total escravidão/ manipulação/ incredulidade gera atrito/ as crianças choram/ filhas do conflito/ na Chechênia, na Caxemira, na Somália/ a autoridade retalha/ qualquer manifestação pró/ porque nós estamos sentenciados a morrer só/ sozinho contra as adversidades do mundo/ terrorismo oriundo/ de nós mesmos/ os fins continuam a justificar os meios/ meios intoleráveis de se conseguir/ meios cruéis de persuadir/ em contra-partida esforços inteligíveis para se reagir/ permanecer, vencer, resistir/ qualidades inerentes ao ser humano/ a maior arma de destruição em massa/ todos os dogmas não passam de uma farsa/ logo esse mundo não existe/ pelo menos acredite/ que eu sou somente uma miragem/ esse mundo é somente uma passagem/ que desgraçadamente convertesse no culto a auto-imagem/ que criticidade aflorada/ seria melhor ler o ser ou o nada/ ou apertar parafusos numa obra super faturada/ ordem econômica defasada/ sistema corruptor ou corruptível?/ a ordem natural autera-se conforme o nível/ de evolução que é aplicado/ o fruto do pecado/ não abriu respaldo/ a gente inocente/ anarquista descontente/ talvez seja o que mais cresce por aqui/ rir, sorrir/ algo a mais para se construir/ no dia de descansou/ o homem pela primeira vez discursou/ sobre a importância da guerra/ vencido em primeira instancia/ pela primeira vez as armas interromperam a infância/ lancem-se ao mundo, façam com que saibam/ como eles nos tratam/ a história do homem se confunde com a historia da tirania/ e a hipocrisia, a muito é um traço psicológico/ o que é lógico?/ nessas semelhanças rascunhadas para fora/ desses micro-poderes usados agora/ ler e conter/ tecer a estrada do saber/ pra fins pacíficos/ que culminam em interesses atípicos/ aos tiranos/ amor, versar sobre os poetas urbanos/ nossos planos/ são causas atômicas/ desses intelectuais preocupados com as crônicas/ de nada adianta pensar/ se você não vai mudar/ de Marx a Osama/ de Góbi ao Atacama/ todos temos sede/ sedentos, amor pela rede/ que nos aproxima, quanta distancia?/ quando eu era criança/ tudo parecia mais próximo que hoje/ porque o amanhã é tão distante/ que sofrimento constante/ ansiedade prolongada/ milênios que passam em velocidade acelerada/ enquanto o homem continua fazendo a coisa errada/ mais uma jogada/ descartem a era das mascaras/ das sinceridades raras/ o homem virou escravo do tempo/ a rasgar a paisagem urbana como o vento/ quem diria uma pitada de sarcasmo/ ninguém mais consegue tolerar/ quanto mais enfrentar/ rumo ao fim/ não cabe a mim/ o julgamento dessa tal situação/ de Sócrates a Platão/ maiêutica, não tira conclusão/ então/ voltamos ao principio/ o verbo quem diria é o meu oficio/

Saturday, March 17, 2007

"Um mundo melhor seria aquele em que todos nós, sendo razoáveis, escutássemos uns aos outros". (Tariq Ramadan. Revista Veja. 13/02/2006).



Uma discussão à cerca da Liberdade de Expressão:

Por todo o mundo, surgem cada vez mais movimentos legitimados por um poder questionável que tenta legitimar as agressões físico-psicológico-culturais contra seus desafetos. Provocando sentimentos rispidos nas populações aos quais tais agressões são veiculadas, um bom exemplo é o caso das caricaturas sobre o profeta Maomé¹. As 12 charges apareceram pela primeira vez no jornal dinamarquês Jyllands Posten, em Setembro de 2005. Que ridicularizam o profeta e insinuam que este seja o pai do terrorismo (em uma das charges o profeta Maomé é retratado portando bombas no seu turbante).

Observemos por uma ótica universal: A liberdade de expressão é um direito assegurado, pelo menos para os cidadãos de países reconhecidamente democráticos (como é o caso da Dinamarca é vários outros países europeus) onde imperam as chamadas imprensas livres, e até certo ponto "independentes". Sendo assim será que é certo fazermos caricaturas ridicularizando o credo alheio? Segundo a Wikipédia, Liberdade de Expressão é: "A liberdade de expressão é um conceito considerado freqüentemente integral nas democracias liberais modernas para eliminar a censura. O discurso livre é também apoiado pela Declaração Internacional dos Direitos Humanos, especificamente sob o artigo 19 da declaração universal dos direitos humanos e o artigo 10 da convenção européia de direitos humanos, embora esse direito não seja exercido em vários países". Porém, a mesma Wikipédia afirma: "O direito à liberdade da expressão para a maioria não é considerado ilimitado; os governos podem proibir determinados tipos prejudiciais de expressões. Sob a lei internacional, as limitações no discurso livre estão restritas à um rigoroso teste de três critérios: ser baseados na lei, perseguir um objetivo reconhecido como legítimo, e ser necessário (isto é, ter um propósito) para a realização desse objetivo".

Vamos analisar a situação e tentar legitima-lá, a legitimação do direito de expressão é baseado em:

  • Item 1º; Na proteção dos direitos e da reputação; o que neste caso me parece ser ilegítimo, pois, os muçulmanos (muito menos Maomé) não feriram nenhum direito que vigore na sociedade dinamarquesa, nem feriu sua reputação!
  • Item 2º; Proteção da ordem, da segurança nacional e do público, da saúde e da moral: Os muçulmanos não são um povo conhecido por promover a anarquia, nem veicularam ameaças ou declarações que atentassem contra a segurança nacional da Dinamarca.
  • "As opiniões variam extensamente entre povos, nações e culturas diferentes a respeito de quando a limitação do discurso livre se encontra com estes critérios". Wikipédia.

Me parece no mínimo desagradável tais caricaturas depois desta pequena analise a cerca da Liberdade de Expressão, claro que temos que levar em consideração que a imprensa dinamarquesa é livre, mas até que ponto é saudável essas brincadeiras? Vejam o que Tariq Ramadan², pensa a respeito em entrevista concedida a Revista Veja: "Caricaturas e humor dependem da realidade de cada um. Certas coisas são universalmente engraçadas, outras não. Devemos ter cuidado com aquilo em que achamos graça. Num universo de tantas referências, algumas pessoas podem não achar graça nenhuma em determinado assunto. Os muçulmanos não estão habituados a fazer piada com religião. Por outro lado, os países ocidentais estão acostumados com isso há pelo menos três séculos", (Revista Veja. 13/02/2006).

Neste caso, podemos perceber que as caricaturas tem uma conotação não somente política, mas também xenófobas, já que foram defendidas pela extrema direita dinamarquesa, veja o que diz Sven Tarp, Secretario Internacional do Partido Comunista Dinamarquês: "É sempre difícil adivinhar quais são as motivações pessoais dos que tomam decisões infelizes. E esses motivos têm, de facto, pouco interesse. O que é importante, isso sim, é o contexto histórico em que se tomam as decisões e o objectivo dos que as tomam. Sob este ponto de vista, é fácil concluir que a publicação dos cartoons faz parte de um plano promovido pela classe dominante da Dinamarca com um duplo propósito:
Dividir os trabalhadores dinamarqueses em nacionais e estrangeiros, cristãos e muçulmanos, para debilitar a sua resistência face à brutal imposição de políticas neoliberais, num momento específico em que, transitoriamente, a economia dinamarquesa é uma das mais prósperas dentro de uma economia capitalista mundial em grave crise;
Criar a imagem artificial do mundo muçulmano como inimigo para, com este argumento, enfrentar a crescente reivindicação do povo dinamarquês de retirar as suas tropas do Iraque, onde participam na ocupação ilegal encabeçada pelo imperialismo norte-americano".

"Todo homem tem direito a liberdade de opinião e expressão"³; Porém o direito de expressão deve ser exercido com bom senso respeitando as liberdades individuais (crença, opção sexual, etc) para assegurar uma sadia convivência entre os povos e uma assimilação pacifica de dogmas das várias civilizações que compõem o mundo atual. Não restringindo-o a fins meramente políticos e de segregação que servem aos interesses imperialistas e racistas de minorias radicais que deterioram toda uma convivência entre os blocos, ocidental e oriental, numa guerra onde cada qual ataca o ponto fraco do outro, e assim cria situações tão lamentáveis quanto a questão das caricaturas, liberdade com responsabilidade.

Mais Informações em:

http://www.tariqramadan.com/article.php3?id_article=579

http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberdade_de_express%C3%A3o

http://resistir.info/europa/dinamarca_cartoons.html

http://www.bocc.ubi.pt/pag/stevanim-luiz-charges-do-profeta.pdf

______________________________________________________________________

¹ Maomé - Muhammad (Meca, c. 570 - Medina, 8 de Junho de 632), líder religioso e político árabe. Segundo a religião islâmica, Muhammad é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão. Como figura política, ele unificou várias tribos árabes, o que permitiu as conquistas árabes daquilo que viria a ser um império islâmico que se estendeu até à Europa (incluindo Portugal).Não é considerado pelos muçulmanos como um ser divino mas sim um ser humano; contudo, ele é visto como um dos mais perfeitos entre os seres humanos.

2 Tariq Ramadan. Acadêmico suíço neto do egípcio Hassan al-Banna, fundador da Irmandade Muçulmana, o primeiro movimento de renascimento islâmico, seu pai, Said, um dos fundadores da Liga Mundial Islâmica, foi expulso do Egito e se refugiou na Suíça. Autor de vinte livros que projetam sua visão reformista de um mundo muçulmano integrado aos valores liberais do Ocidente, é professor de filosofia européia e estudos islâmicos no Saint Antony’s College, em Oxford, na Inglaterra.

³ Artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Tuesday, March 13, 2007

Al Shifa - Cartum, Sudão: 20 de Agosto de 1998.









Complexo farmacêutico bombardeado por forças americanas em retaliação aos atentados sofridos nas embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia; com a alegação de que o complexo químico supostamente estaria fabricando armas químicas (fato nunca confirmado). "O ditador sudanês Omar el-Bashir alegou que bombardeio a seu território havia sido motivado para encobrir o escândalo do affair Monica Lewinsky", (Revista IstoÉ: 26/08/1998).

O intelectual Noam Chomsky comenta em um dos seus livros o caso Al Shifa: "Qual teria sido a nossa reação se bin Laden tivesse destruído metade dos suprimentos farmacêuticos dos EUA, bem como as instalações indispensáveis para repo-los? Podemos imaginar facilmente, apesar de a comparação ser injusta: as consequências foram muito mais graves no Sudão. Deixando isso de lado, se os EUA ou Israel, ou a Inglaterra, fossem o alvo de tal atrocidade, que reação teriam?" (Chomsky, Noam. 11 de Setembro). Chomsky continua. "logo após os atentados de 11 de setembro. Observei na ocasião que o número de vítimas do "crime horrendo" de 11 de setembro, cometido com "absoluta e medonha crueldade" (citando Robert Fisk), poderia ser comparado às consequências do bombardeio que Clinton dirigiu contra as instalações de Al-Shifa, em Agosto de 1998." (Chomsky, Noam. 11 de Setembro).

Os EUA vem desde a guerra fria perpetrando e financiando o terrorismo internacional além do fato de ser "o único país do mundo a ser condenado pela Corte Internacional pela acusação de terrorismo" (Chomsky, Noam, 11 de Setembro).

Dom Michel Sabbah, patriarca latino de Jerusalém, afirmou à Rádio Vaticano: "Todas estas ações de força e de violência têm consequências negativas para o mundo todo. Por isso, não existe mais Oriente ou Ocidente, há uma potência no mundo que é os Estados Unidos, que é a mais forte em qualquer setor, e onde encontra resistência intervém. Todos querem eliminar o terrorismo; mas deste jeito só se acaba favorecendo-o", (Via della Stazione di Ottavia, 9500165. Roma; Italia. ZENIT).

O povo pobre do Sudão, vitimas da miséria e das doenças que assolam o país sucumbiram pela politicagem inescrupulosa do governo norte americano, por quê? Quais crimes aquela gente tão pobre e carente do básico cometeu para padecerem uma perda que para eles foi de proporções gigantescas? Que guerra contra o terror é esta? Que para destrui-lo o fortalece, que quando coloca-o como bode expiatório trai à si mesmo, que "guerra" injusta!






Saturday, February 10, 2007

CONTRA A JUSTIÇA HIPÓCRITA!!!



Nosso mundo é hipócrita, nosso mundo é egoísta, pois ao negligenciar justiça a todos (veja bem, eu disse "todos"), conspira impiedosamente a favor desse estado de mal estar social no qual todos nós nos encontramos. Independente da cor se é branco, negro, asiático, hispânico, somos todos seres humanos, com os mesmos direitos e deveres enquanto gente de bem, mas sempre seres humanos.
O fato é que o sistema corrupto e racista sobre o qual nós vivemos, impõem a nós um estado de caos, de terror psicológico, devastando a consciência e impondo uma guerra absurda e hipócrita, uma guerra xenófoba, de um estado que persegue sua própria população. Os brancos republicanos, os brancos democratas, querem acabar com os negros, os latinos, os esquerdistas, os islâmicos, enfim tudo que eles acham indignos.
E distribuem essa cultura de ódio para nossas republiquetas falidas do terceiro mundo, e ai se paga caro, com essa negligência típica, de um estado alucinado que viaja nas teorias de conspiração. Que simplismente debocharam do poderio das nações do leste, achando que a tortura e humilhação nunca seria revidada e que nunca conseguiriam atingir o seio da América.
O estrago esta ai, já foi feita, quando vocês filosofaram sobre liberdade, e eu pergunto: Que liberdade é esta, que precisa para se perpetuar o sofrimento das nações ditas como subdesenvolvidas? Não precisa estar fora desses estados constrangidos para se ver a dimensão do problema.
Essa dimensão é gigante! Extrapola a estratosfera da compreensão racional, e Mumia Abu-Jamal é um exemplo do que estou falando. Mumia é um exemplo de segregacionismo que a teoria branca imperialista criou de que "Façam a burrada e coloquem a culpa no negro". Esqueçam este conceito, o mundo não tem mais espaço para isto, a humanidade anseia por liberdade, e Deus, e as portas do perdão, são um exemplo clássico de que a justiça social deve ser propagada em larga escala. E que o ideal de liberdade deve girar sobre um pilar de justiça como as engrenagens do sistema; Somos o erro do sistema, "a brecha", a "falha". cabe a nós mudar o destino.
Liberdade a Mumia Abu-Jamal um homem negro que esta preso porque nasceu negro, e porque onde ele nasceu os "fora do padrão" sempre levam a culpa.
Liberdade a Mumia já: http://www.mumia.org/freedom.now/
Perguntas de um trabalhador que lê.







Quem construiu a Tebas de sete portas?


Nos livros estão nomes de reis.


Arrastaram eles os blocos de pedra?


E a Babilônia varias vezes destruida -


Quem a reconstruiu tantas vezes? Em que casas.


Da Lima dourada moravam os construtores?


Para aonde foram os pedreiros, na noite em que


a muralha da China ficou pronta?


A grande Roma está cheia de Arcos do Triunfo.


Quem os ergueu? Sobre quem.


Triunfaram os Césares? A decantada Bizãncio.



Tinha somente palácios para seus hábitantes?


Mesmo na lendária Atlântida.


Os que se afogavam, gritavam por seus escravos.


Na noite em que o mar os tragou.


O jovem Alexandre conquistou a Índia? Sozinho?


César bateu os gauleses.


Não levava sequer um cozinheiro?


Felipe da Espanha chorou, quando a sua Armada naufragou.


Ninguém mais chorou?


Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.


Quem venceu além dele?


Cada página uma vitória.


Quem cozinhava o banquete?


A cada dez anos um grande homem.


Quem paga a conta?


Tantas histórias.


Tantas questões.




Bertold Brecht Poemas de 1913 à 1956
Um dia qualquer



A água bate de mansinho na ponta da praia milhões vêem de longe mulheres de bela face se escondem por debaixo da saia os filósofos tentam entender a complacência do monge.A vida reporta ao sonho, facilidade de voar.Querer, querer e nunca tentar.Um minuto, pêra lá. Abatido pelo cansaço é terrível continuar.Você pede de mim algo irrefutável.A mim compete o direito de permanecer calado.Sua suplicas de homem economicamente viável.Reportam ao macro-cosmo fechado que insiste em maleavel manobra do pecado.
Quão belo será o amanhã?



Esse texto é dedicado a todas as pessoas que sabem o que querem da vida, é também dedicado aos sistemáticos que acham um jeito de tornar tudo familiar, por ultimo é dedicado aos rotineiros, que em seu cotidiano demonstram bravura ao agüentar a mesma rotina durante toda a vida. Essas pessoas aqui citadas tem a vida toda planejada ou subordinada, ou seja sabem sempre o que devem fazer antes de ter que fazê-los, nunca são pegos de surpresa e ai é que eles se privam do mais gostoso da vida. A surpresa.A surpresa é mágica, tem aquele diferencial das outras emoções, ela é mutável, uma pessoa se surpreende mais de uma vez na vida, mas nunca tem a mesma reação. A surpresa, serve de estimulo, as pessoas vivem num mundo egoísta e hipócrita, que exige muito das pessoas e lhes dá pouco; uma machadada, um tiro de misericórdia, enterra-se o sonho. É por isso que a surpresa é fundamental, porque as pessoas anseiam por isso, elas querem se surpreender, elas precisam disto, desse incentivo, dessa emoção embutida na áurea austera dos vencedores.Nessa regurgitação de indiferença sobre os vencidos. Os grandes Cesáres anexaram o resto do mundo até então conhecido para o bem da grande nação romana. Será que eles se surpreenderam? A arrogância silencia a surpresa, mas não a felicidade que provem dela; nesses picos de modernismo que a minha geração atravessa, não dá mais tempo para se surpreender.Nesse mundo que se modifica a cada quinze minutos, onde estará o código matricial? Ele é a surpresa, surpresa de ter chegado tão longe, surpresa de ter vencido mesmo tomando uma medida de solavanco, surpreso de ver o seu amor na porta dizendo – Sim eu quero casar contigo. Surpresa de ter se salvado e assim mudar de vida, por ter alcançado uma nova sintonia, ter acessado novos horizontes, límpidos como o orvalho da manhã que volta para o seio da terra mãe, de mancinho, descompromissado.Essa é a surpresa que te faz parar, retroceder no tempo e se sentir vivo, é de fato eu sou de carne e osso e sou tão frágil e vivo num mundo tão inconstante, cuja beleza é detento de um palácio feito de dinheiro sujo e onde a lavagem cerebral é maestralmente arquitetado. Com anseios de libertação que são liberados no vento, na forma de suplicas energicamente singelas de auto cunho sentimental e cujo os intelectuais se apegam por demais, e filosofam sobre algo parecido a felicidade.E em toda essa inconstância surge a surpresa. Por isso dedico esse texto aos sistemáticos, aos prevenidos e aos que sabem o que querem da vida. Pois eles com toda essa arrogância “certesista” esquecem que a surpresa é uma coisa fantástica, pois caracteriza a face da esperança. A essas pessoas infelizmente os poetas não se lembram quando compõem seus sonetos, nem os dramaturgos quando escrevem suas novelas, essas pessoas que eu mencionei tem uma grande desvantagem. A desvantagem de não esperar nada da vida, e assim não poder se emocionar. No leste os mais velhos costumam dizer aos mais novos que, os homens que sonham demais, são visionários, os que tem certeza da esperança são eloqüentes e os que nada temem quanto aos revezes do futuro são execráveis.
Sobre o viver
Quais de vossas questões imperialistas vão realmente ultrapassar essa barreira egoísta, que nós sadicamente chamamos de vida? Esses esforços de felicidade que de uma maneira ou de outra culmina no fracasso diário de quem lida com a justiça em dosagens de indiferença, enojamento, o homem violento. Vossas pílulas de alegria instantânea já não mais suprem minha necessidade de explicação, esses corações cansados que resistem na ultima noite da guerra, quantos navios afundaram juntos ao crepúsculo dos Deuses? Quem lembrou-se dos irmãos? Guerreiros para a vida, guerreiros pela glória de Deus, que justiça? Quem delegou? Nosso mundo é só especulação, minha vivencia, minha veemência, os calcanhares enraizados na terra dos antepassados. Olhe para o futuro, que paralelo demente nós fazemos com o passado? A face do pai? A bondade do filho! Meus Mujahideens não são dignos!




Famintos

O olhar é frio e em nada condiz com singela expressão de serenidade.Lapso de modernismo, modesto e absurdo.Celulares em punho, muito requinte.Exigência, veemência, consciência; aqui não há!Enchem seus espíritos consumistas, nada orgânico.Tudo sintético, estético, patético, metamorfose em contraste.O real e o imaginário, papel moeda não imprimi os livros do proletariado.Sem ressentimento ou mantimento meu veneno, já não é o mesmo.A muito se tornou indigno. Que identidade é essa?Qual marco perfeito, ilustrou a conquista da primeira pagina?Quantos pontos subiu o Ibope dos famintos no horário nobre?Quem mata milhões e sorri, coroado imperador?Nossa aldeia resiste bravamente, meu prato é raso.Como lagoas cristalinas, que tudo refletem...Inclusive nossa sinceridade, vaidade, abstinência.Dez anos mais velha, qual amor que se importa com a idade?Ousadia é privilégio, a morte é o tédio... Eu prefiro viver.Sou faminto por vivência, não abro mão da minha singela experiência.Quem nunca vivenciou pode estranhar...Mas viver é algo como degustar

Tuesday, January 30, 2007

Memoria é vida

Memoria é vida: seus portadores sempre são grupos de pessoas vivas, e por isso a história esta em permanente evolução. Ela está sujeita à dialética da lembrança e do esquecimento. Inadvertida de suas deformações sucessivas e aberta a qualquer tipo de uso e manipulação. As vezes fica latente por longos períodos, depois desperta subtamente. Ahistória é sempre incompleta e problemática reconstrução do que já não existe. A memoria sempre pertence a nossa época e está intimamente ligada ao eterno presente: a história é uma representação do passado.

Pierre Nora, 1984





Sunday, August 27, 2006

Meio quilo-jaule de verdades.

Tradição oral.
Aqui o que se transmite é a fragilidade governamental!
Reformas, ação global.
Muito individualista por sinal.
Na noção entre bem e mal.
É minha terra assisti timida.
A sua propria partida.
Enquanto a água cai do céu, a rotação do globo.
Encharca-se de lagrimas as conquistas do meu povo.
E voltam-se ao principio denovo.
Não tem mais para onde expandir.
E a mãe natureza pergunta, porque vocês jogam o lixo aqui?
O homem não tem mais para aonde ir.
Com os soldados a frente para sentir.
O azar, de não mais voltar.
Vir; A crítica não aplaude quem não faz sorrir.
É o vírus da indignancia prestes a se contrair.
Protesto silêncioso.
Hábito pecaminoso.
Está na hora de aflorar as virtudes do virtuoso!
Aqui tudo é venenoso.
Os vícios, as linguas, os bolsos.
Que se esvazeiam com demasiada rapidez.
Planeja-se mais uma vez.
Mas aqui só tem vez!
Quem fala YO,YO ou 1, 2, 3.
Focalizando a insensatez.
Enquanto está se vigiando.
Os homens estão se tornando.
Outra coisa com alguém modelando.
A família sucumbe, o pai está gritando.
Os misseis silênciam o lamento, o menino esta chorando.
As pernas tremulas continuam carregando.
O peso de cristãos, judeus e muçulmanos.
Olhasse pasmo a individualização dos seres humanos.
E a lagrima escorre retraida no cantinho do rosto.
Não aqui cada um assume o seu posto.
Ao passo que o suposto.
Motivo atenuante e virtuoso.
Que nos reporta ao centro do globo.
Encharcado de lodo.
O olhar frio do lobo!
Distanciado.
A premissa não procede como o esperado.
Sobrepujar o já vacilado.
Fora de foco, não contextualizado.
Senhor da guerra ovacionado.
Míssil de 20 mil km de abrangência, focalizado.
Terror protagonizado.
Uma bomba rélogio prestes a estourar.
O discurso do Imã a insuflar!
Palavras vazias; Psitacismo.
Proveniente do trabalhador; Mecanismo.
Governo de outrora; Comunismo.
Quem se prontificará a libertar; O Liberalismo?

Sunday, August 13, 2006

Mais um filho pródigo

Mantenha sobre suas vidas o que digo.
Eduquem para tornarem-se amigos.
Racionalismo na pratica não cessa conflitos
Divino, proclamação do sistema de ensino.
Amor na terra não é alocado

Dádiva, agradecimento ao serviço prestado.
Estrutura não sedimentada paga-se caro.

Social significa mais nesse país do que o normal.
Internacionalização, banalização, homogenia e estrutural.
Sistema, não embasado em cultura, alicerce que não agüenta a estrutura, gera.
Temor, especulação sobre a suposta falta de ternura.
Enunciam, anunciam, delegam loucura.
Maternal, fraternal, o que houve afinal?
Aflição transpôs a barreira entre bem e mal.

Poderio que gera diariamente “mal estar social”
Onipotente, aqui adora-se especular sobre potencia, e se haverá um.
Estratagema para conter a violência
Síndrome nefasta denuncia vossa falta de consciência!
Imperfeição é o problema da veemência.
Alusão, apenas uma forma de pedir clemência.

É preciso dar algo de imediato

Ovacionando algo superior ao supérfluo ser
Querer, querer e não poder ter.
União, nações unidas vão saber, que.
Emendas e intervenções acabaram com você

Nação dilacerada pelo ódio.
Ondas de violência, ser simplório.
Síntese de destruição que o ópio. Causou

Urgência a informação vazou.
Negligencia como o chefe de estado deturpou?
Essência na verdade essa guerra não pontuou.

1º verso:
No ibope, ninguém mais agüenta.
Intervenção militar, baixa renda.
Jogo de empurra-empurra, batata quente assando no ministério da fazenda.
Política equivocada por vezes contraditória.
Obrigam-me a votar e expõem no jornal como se fosse um gloria
Ai eu entro em cena e faço a pergunta: Que vitória?
O povo brasileiro conquistou?
Em 500 anos o quanto se distanciou?
Da normalidade, da insanidade.
Como aprisionaram meu povo a informalidade?
Nem se comenta mais o que causou essa falta de identidade.
Faço protesto por conveniência.
E quem é que não sabe que não se faz nada na presidência?
E que o presidente é uma figura decadente
Patética, poética e impotente.
Na verdade serve como um boneco marionete. Nessa droga de estado fantoche.
Que nunca traçou um paralelo entre o fruto proibido e a maçã da Macintosh.
Eu não recorro à violência, porque ela é muito agnóstica.
Intermitente fazendo um download de uma nação inóspita
Ainda não se deu conta que a situação se tornou caótica.
Observador ocular da história se emociona
Expansão, expansão, não se tem para onde correr então.
Gritasse, evasão, evasão. Êxodo
Os israelitas sabem do que eu falo
Sabem das diferenças entre o ser análogo
Que dispara a sua suposta Irá
O ETA também depôs as armas
Mas mesmo assim ainda há genocídio em massa
Na falsa sensação de se estar liberto
A tecnologia aproxima distanciando, chegue mais perto.
De Deus, as portas do perdão não deixam passar os ladrões de terno.
E essa sensação de divindade nada mais é do que reflexo de um amor paterno.
Nós somos ligados por um laço fraterno.
Do Hezbollah ao Mossad
Do monte Olimpo a terra media passando por Asgard
Sou pobre, mas não sou ignorante.
É essa mania de migração, é essa mania de ser retirante.
De despertar o espírito andarilho, de viver como um guerreiro errante.
A luz da sabedoria ilustrada de túnica e turbante.
A minha gente aqui é vista como um tanto repugnante
E as crianças mendigando amor. Isto é indignancia.
Quem disse que só velhice é sinal de sabedoria? E a infância?
E qual é a sua intenção em relação as questões por mim apresentada?
E o que as eleições representam pra mim? Nada!
Não tem o que se dar para alimentar a esperança do homem do campo
Os governantes querem que nós sobrevivamos de escambo!
Eu ando. Na rua esbarrando
Em figuras que fazem parte do meu cotidiano.
Ano eleitoral, mais um ano
Mais um anjo maligno, mais uma população entrando pelo cano.
Mais um político mandando o povo ir se ferrar, e falando, falando, falando.
Por isso quero expressar meu apoio ao senhor Enéas.
E dizer que nada tenho a ver com as disputas de terras
Desses latifúndios atrasados que mais se parecem com burgos.
E assim os Etruscos.
Construíram um império falido
Que hoje se refletem em estados divididos
Desse constrangimento tão já conhecido
Pela nossa aurea atômica
Cápsula ultra – sônica
Onde estará a tal da sabedoria
E os pequeninos ao brincar constroem esperanças, quem diria?
Que dia – após – dia
Eu me sinto cada vez mais convicto de minha missão.
Essa tal de estereotipação.
É muito vazia, um conceito errôneo, pois a própria política é vaga
Depois de gafanhotos, ditaduras e urânio, qual será a próxima praga?
Como essa nossa economia de mercado se defenderá?
Quando não mais na constituição constar
Que a liberdade individual não mais prevalecerá
E o que será essa tal de parcela de culpa?
Somada ao pi radiano
Eu ando radiante, irradiando
Esse nosso jeitinho de lidar com afeto
Afago, quem alocará uma parcela aos sem-teto?
Esses teóricos da matemática financeira
Que não dão valor às estatísticas do holocausto, acham isso besteira.
Na verdade, o mundo tem muito da matemática.
A razão, a porcentagem, o lucro, a tática.
A teoria conflitasse com a pratica.
Principalmente quando o racismo é externo – cromática.
Pois meu mundo ainda persiste
A suas bombas sujas ele resiste
Lute, perdure, conquiste.
Quem disse que a beleza não é triste?
E que destino não existe?
Ele está a esperar, junto de Deus nestas esquinas provincianas.
Desses movimentos circulares sobre as mesmas superfícies planas.
Poderes, tramas.
Luxo de outrora, que não tem espaço no meu mundo filosófico.Essa é à volta, a volta de mais um filho pródigo*

*Está é uma letra de musica, do meu projeto de poesias ritmadas, só a titulo de curiosidade quero expressar que está canção tem duas mensagens subliminares no começo nas primeiras estrofes que precedem o primeiro verso, se vocês olharem bem verão que na vertical a primeira letra de cada frase compõem as seguintes frases na vertical “merda de sistema” e” poesia é o que nos une”.

Saturday, July 29, 2006

Carta de despedida

Despeço-me da vida com a sagacidade de um guerreiro, meus motivos são evidentemente fracos, assim como eu sou. Na vida nada mais faz sentido, na verdade nunca fez... Estou nesse barco há anos, estou em naufrágio porem agora o barco está totalmente afundado e não tenho mais para aonde correr.

Na realidade nós não nascemos fortes nem fracos, nem bons e maus, só nascemos, à vida se encarrega de nos dar a carapuça, não adianta mais esconder. Sou um filho do ódio, um garoto que chora enquanto o pânico me retalha, eu choro de amor, de falta de amor, não quero outra, quero você. Mas de todo não foi ruim, tinha tudo para ser péssimo, como às condições, mas deu para aproveitar, pequenos momentos, pílulas, ilusões, faces belas a passar pela rua, a roda de amigos a ressaltar o mau dizer sobre o mundo e a vida, com uma faceta cômica; e sarcástica. Tudo que aprendi, tudo que conheci as pessoas que vi, sorri em suas presenças.

Porem foi triste o resto, porque eu sempre fui provinciano ao extremo, na verdade me agrada ser pacato, nunca fui nada porque nem poderia, sem paixão, sem amor, sem expectativa, sem incentivo, só o mal a rondar, e mesmo renunciando o que mata, mesmo assim já nasci marcado.

O pobre nasce com data de falecimento pré-programada, o ódio com a minha gente é recíproco, é imenso, sou algo que o crescimento populacional criou, algo que as políticas errôneas criaram e depositaram o sofrimento entre esses estados divididos do constrangimento. Sou um acidente de percurso, que os ricos chamam ironicamente de “fracasso”, não pude almejar um futuro digno, pois no subúrbio não há dignidade. As historias são confusas, as noites inspiram temor, os recursos econômicos são escassos.

Na realidade o pobre só é feliz quando vê Deus, na paisagem paradisíaca que é o parque dos ricos. Nas roupas caras do shopping, por que, por que existi isso? Por que meu Deus somos diferentes?
A mim não compete fazer perguntas ou indagações, os fatos são esses, conforme-se, na realidade nem penso em discorrer nada a respeito. Nessa merda que vocês chamam de vida to a passeio, para a sorte de vocês. Seus ricos nojentos, suas promessas fedem, como o seu dinheiro sujo. Não tenho expectativa, porque vocês a compraram, e a mim cabe o direito de morrer.

Nesse pais o direito de morer é popular, o direito de sobreviver é uma humilhação que os ricos nojentos nos forçam a implorar. O direito de viver é exclusividade dos ricos, e dos alienados que não tem vergonha de serem humilhados. To no fim, este é o meu ultimo protesto, a ultima noite, o ultimo sonho com “um lugar bonito, filhos brincando no quintal, uma bela casa e uma mulher de traços suaves e cabelos castanhos”.

A tradição hoje será quebrada, os jovens se entristecem com demasiada facilidade, e na minha religião os homens tem de ser fortes porque a morte paira, pensando bem não é tão ruim assim, a morte para vocês é o drama cristão para os muçulmanos é só uma passagem uma quebra de barreiras.

Existe um lugar onde gente como eu é livre onde o sofrimento não existi, onde o racismo não é praticado, um lugar lindo, onde nós não somos olhados sobre olhares de repugnância e descrença, um lugar onde os barulhos são menos neuróticos, onde não há sirenes nem viaturas policiais nem briga de casais nem tiros disparados na maldade inocente da noite.Um lugar onde se é livre.

Faço minha passagem, não tem mais razão para insistir, não tem mais volta, já nem vale mais a pena voltar, me mataram, quando eu nasci, e agora só estão limpando o lixo que restou, que todo o meu ódio se transforme em amor e consolo a minha mãe, a única que me amou, que não me abandonou a própria sorte. Mas eu não tenho essa força, me perdoe mãe, mas daqui para frente a senhora continua sozinha, será melhor assim. Meu amor você foi à única que eu amei, mas a vida é deveras dura com quem ama e não é correspondido. Te amo, não foi culpa sua, nunca. Quanto a diplomas, já sou diplomado na escola da vida. Só que depois de formado você não pode mais permanecer nela. Triste não é mesmo, mas tristeza faz parte do pobre, o pobre nesse país é tratado como uma anomalia, um bicho, algo de outro mundo.

Há muito sofrimento na terra, vocês criaram, a mim só coube vive-lo, e tentar lutar contra algo que não competia mais a mim. Hoje não é um dia triste, pelo contrario talvez esse seja o dia mais feliz de alguém como eu, vou me libertar dessa vida de merda que só oprimi quem é diferente.

Peçam para os sociólogos esplicarem de onde veio isso, cambada de canalhas, há há, vocês se envergonha com a minha ira, a tal da Unesco,Onu ou Unicef. Não entendo essa mania de humanismo dos ricos, matam nossos filhos depois vão a mídia globalizada dizer que matam a fome dos miseráveis. Ironia, eu não faço sorrir, o problema é que agora também somos globalizados, essa merda de mundialização era só para divertir os seus filhos, agora que nós usamos vocês nos olham e dizem “ que merda que nós fizemos”. Mas agora não tenho mais tempo nem vontade para entra em discursos que vocês chamam de revolta de adolescente, o que importa é que quando vocês lerem essa carta; eu não estarei mais aqui, azar meu, sorte para vocês, quem sabe? Me dispesso dizendo não esqueçam das crianças, dêem algo para elas mas algo de imediato, não deixem que elas experimentem o lado esquerdo da vida, encham elas de amor e mimo, façam por mim, o ultimo favor. A vida é linda, mas todos necessitam continuar suas trajetórias nada começa nem acaba aqui, aqui, é só uma passagem, eu fiz a minha, como dizem os árabes Allahukbar “Deus é mais forte”.

Assinado: um sujeito qualquer, não fosse o fato dele se chamar Radamés e estar a seguir o destino que o mundo, a vida, o sistema impôs a ele. “A existência para nós é um esforço, um esforço de contentamento, um esforço de imaginação”, imaginem um mundo melhor, sempre .

Tuesday, May 02, 2006

fóbia de gente

É comum vermos cada vez mais individuos que tem averssão ao seu semelhante, mas olhe o tamanho da irônia, nossos atos são medidos por códigos de honra, carater, etc.
Nós somos regidos e andamos de acordo com o que prega os homens mais influentes de nossas sociedades, sociedade, o que essa palavra lembra mesmo ?
Não sei o que lembra pra você, mas a mim lembra hipocresia, abuso de poder,politicagem barata,além de ecessivo merchandiesen para coisas extremamente futeis, a de convir que também existi o lado do comum acordo.
Que nos lembra senso comum, numa época onde as opiniões frequentemente divergem, que senso comum irá resolver a completa falta de pudor da opinião humana? censurar, envergonhar quem faz crítica, adimitir o erro, vem cá alguem acredia que os "errados" se envergonham de suas praticas?
A questão não é admitir, a questão é o abuso. A repugnância que o trabalhador sente ao ver a inpunidade que paira sobre a casta dos intocaveis brasileiros (colarinhos brancos), só que destes ao contrário dos intocaveis indianos, as pessoas não mantem a distância, fobia de gente é um assunto complicado, massivo, polemico.
Polemica é o que 182 milhôes de brasileiros procuram diariamente das 20:45 às 22:00 horas, o tal do entreterimento "defasado", como o sálario de milhares de compatriotas, tá então vamos falar dos 50 milhões de brasileiros que neste instante estão sucumbindo, perdendo a guerra da sobrevivencia para a nossa ja velha inimiga, a fome.
E quanto aos 50 milhões de brasileiros que estão passando fome, nada a declarar, frase pré-programada na mente de qualquer politíco que se preze.

o mundo de hoje, quem diria, que os futuristas da época da minha avó achavam que no ano 2000 o homem habitaria outros planetas, faria carros voadores, teria descoberto a cura para todas as doenças.Mas o que de fato trouxe o progresso?

O avanço tecnologico aproximou as comunidades isolando seus membros em espaços cada vez mais efêmeros em relação ao "mundo dos antigos", o mesmo mundo que olha silênciosamente para a realidade caótica do século XXI, vendo as luzes das discotecas embalarem o sono do garoto miseravel, excluido do modelo padrão de sociedade, impidindo este jovem de almejar um futuro promissor por que de certa forma nós, eu , você contribuimos para tragedia humana já que olhamos pasmos, certas vezes com espasmos de enojamento pelo semelhante,olhem para a terra santa desde os tempos dos zelotas, a guerra continua, a realidade nua e crua, é gente morre, e curiosamente a capacidade de produzir medicamentos em massa é pouco explorada, e no país mais populoso do mundo, a China, o governo orienta as pessoas a terem apenas um filho, enquanto que nos estados mutilados pela guerra civil que assola a comunidade africana, ainda se morre de málaria e AIDS, justamente AIDS na era do amor livre o sexo se transformou em arma de dizimação da massa. Empobrecida e esclerozada, que regorgita sua indiferença nos miseraveis, criando um estado de mal estar social que culmina diariamente no fenomeno que nós chamamos de violência. O mesmo que partindo do principio de egohipocresia criou o conceito de margem social e principalmente a legião de marginalizados, enquanto os chefes de estado, nada dizem a respeito, se calam, alguns fabricam bombas atômicas outros fabricam mentiras, mas nehum fabrica esperança .Nem a ONU, as nações unidas estão cada vez mais dispersas.